A abordagem semiótica
Abordar a imagem sob o ângulo da significação e não, por exemplo da emoção ou do prazer estético.
Considerar o modo de produção de sentido, ou seja, a maneira como os fenômenos provocam significações, isto é, interpretações.
Signo
Um signo tem uma materialidade que percebemos com um ou vários de nossos sentidos. É possível vê-lo (um objeto, uma cor, um gesto), ouvi-lo (linguagem articulada, grito, música, ruído), senti-lo (vários odores: perfume, fumaça), tocá-lo ou ainda saboreá-lo.
Um signo só é "signo" se "exprimir idéias" e se provocar na mente daquele ou daqueles que o percebem uma atitude interpretativa.
Tudo pode ser signo, a partir do momento em que dele deduzo uma significação que depende de minha cultura, assim como do contexto de surgimento do signo.
Signo
Não precisa ter a natureza de uma linguagem (palavras, desenhos, diagramas, fotos, etc.), mas pode ser uma mera ação ou reação (correr para pegar um ônibus ou abrir uma janela) ou ainda uma mera emoção ou qualquer sentimento (ternura, desejo, raiva).
Signo é qualquer coisa, de qualquer espécie (uma palavra, um livro, uma biblioteca, um grito, uma pintura, um museu, uma pessoa, uma mancha de tinta, um vídeo, etc.) que representa uma outra coisa (objeto do signo) e que produz um efeito interpretativo em uma mente (interpretante do signo).
Signo
É um primeiro (algo que se apresenta à mente) ligando um segundo (aquilo que o signo indica, se refere ou representa) a um terceiro (o efeito que o signo provocará em um possível interprete).
Grito
Representa algo, indica que alguém está em apuros ou alegre.
Provocará um efeito no receptor – efeito interpretativo: correr para ajudar ou ignorar.
Uma petição:
Representa a causa do cliente (objeto)
Provoca um efeito no juiz (interpretante)
Um filme:
Representa um romance (objeto)
Produzirá um efeito nos espectadores (interpretante)
Um livro:
Representa os costumes da sociedade carioca no séc. XVIII (objeto)
Produzirá um efeito os leitores (interpretante)
Peça publicitária:
Representa um produto (objeto)
Despertará ou não um impacto no consumidor (interpretante)
O que define cada um – signo, objeto, interpretante – é a posição lógica que cada um ocupa no processo representativo.
Pierce
Há três propriedades formais que dão às coisas capacidade para funcionar como signo:
Sua mera qualidade
Sua existência
Seu caráter de lei
Qualidade
Emoção/sentimento: ternura, desejo, raiva. Uma cor azul-claro produz uma cadeia associativa que nos faz lembrar o céu, roupa de bebê, etc.
A mera cor não é o céu, não é a roupa de um bebê, mas lembra, sugere isso.
Esse poder de sugestão que a mera qualidade apresenta lhe dá capacidade para funcionar como signo, pois, quando o azul lembra o céu, essa qualidade da cor passa a funcionar como quase-signo do céu. Similaridade
Outras qualidades: cheiro, som, volumes, texturas.
Existência
Existir significa reagir em relação a outros existentes, significa conectar-se;
Ação ou reação:
Os existentes apontam ao mesmo tempo para uma série de outros existentes para uma série de direções.
As pessoas emitem sinais para uma infinidade de direções: o modo de se vestir, a maneira de falar, a língua que fala, o que escolhe dizer, o conteúdo do que diz, o jeito de olhar, de andar, etc.
Caráter de lei
Uma lei é uma abstração, uma abstração operativa;
Ela opera tão logo encontre um caso singular sobre o qual agir.
A ação da lei é fazer com que, o singular se conforme, se amolde à sua generalidade
Palavras são leis porque pertencem a um sistema.
Faculdades Promove
Curso de Produção Editorial / 2006
Postado por Ademir em 04/2008
Mera qualidade – sugere por similaridade, mantém uma relação de analogia com aquilo que representa (objeto): um desenho figurativo, uma fotografia, qualquer imagem que represente uma casa ou uma árvore, na medida em que se "pareçam" com uma casa ou uma árvore.
A gravação ou a imitação do galope de um cavalo, perfumes sintéticos de certos brinquedos, tecidos sintéticos que parecem tecidos naturais ao tato.
Gosto sintético de certos alimentos.
Existência – indica aquilo a que se refere, mantém uma relação causal de contiquidade física com o objeto: palidez, fumaça, chão molhado, nuvem cinza, pegadas, marcas de pneu.
Caráter de lei – representa idéias abstratas, convencionais: hino nacional, bandeira nacional, a praça dos três poderes, pomba branca, símbolos matemáticos.
Efeitos interpretativos
Não precisam ter necessariamente a natureza de um pensamento bem formulado e comunicável, mas podem ser uma simples reação física (receber uma carta e jogá-la fora) ou podem ainda ser um mero sentimento.
Efeitos interpretativos
Sentimentos e emoções
Reação física – percepções, ações e reações
Pensamento bem formulado e comunicável – discursos e pensamentos abstratos.
Ler semioticamente
Contemplar
Discriminar
Generalizar
Contemplar
Meditação livre – estado desarmado
Tornar-se disponível – dar ao signo o tempo que eles precisam para se mostrarem
discriminar
Olhar observacional
Capacidade perceptiva entra em ação
Estar alerta para a existência singular do fenômeno
Saber discriminar os limites que o diferenciam do contexto ao qual pertence
Conseguir distinguir partes e todo
Generalizar
Abstrair o geral do particular
Extrair de um dado fenômeno o que ele tem em comum com todos os outros que compõem uma classe geral.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Oi Ademir!
Você gosta mesmo de semiótica!
Seu texto é muito grande! eu não consegui ler tudo, mas me parece muito interessante! hahahaa!
Carol
Postar um comentário